segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Mais resistente, 'supergonorreia' deixa autoridades em alerta

O medo de uma tal de supergonorreia tem deixado autoridades de saúde do mundo todo de cabelo em pé.

A bactéria causadora da doença, antes considerada um tanto boba e inofensiva, já mostra sinais de resistência aos antibióticos disponíveis e fez acender um sinal de alerta em vários países, incluindo o Brasil.

Desde 2008, o número de casos de gonorreia na Europa cresceu 79%, segundo relatório recente do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças. Nos EUA, os casos aumentaram 8,2% entre 2009 e 2013.

Com mais bactérias circulando por aí e, portanto, mais antibióticos sendo usados contra elas, aumenta a pressão seletiva para que sobrem apenas as mais resistentes, lembra Ralcyon Teixeira, supervisor do pronto-socorro do Instituto de Infectologia Emilio Ribas, em São Paulo. O uso indevido de antibióticos também contribui.

Neste ano, a Inglaterra registrou um surto de gonorreia resistente ao antibiótico azitromicina no norte do país, segundo a Associação Britância de Saúde Sexual e HIV. Japão, França e Espanha registraram nos últimos anos casos de gonorreia resistente ao medicamento padrão, a ceftriaxona. E estudo publicado na revista "New England Journal of Medicine" relatou uma nova cepa de bactéria resistente na Austrália.

Nos EUA, pesquisadores dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças já estão até sequenciando o DNA da bactéria para fazer testes que digam rapidamente se a infecção do paciente é resistente a essa ou aquela droga.

"A gonorreia sem tratamento é inevitável, só uma questão de tempo", disse Colm O'Mahony, consultor de medicina geniturinária no Countess of Chester Hospital (Inglaterra), em palestra no Congresso Europeu de Dermatologia, em Copenhague. "E a indústria não está interessada em desenvolver novos antibióticos."

De fato, o investimento em antibióticos, de forma geral, tem caído. Em 2008, 8 das 15 grandes farmacêuticas haviam abandonado seus programas de descoberta de antibióticos e duas delas tinham feito cortes nessa área na década passada, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Isso porque as pesquisas são caras e a resistência bacteriana pode diminuir o tempo de vida das drogas. Antibióticos são usados por pouco tempo, ao contrário de remédios para doenças crônicas, e ainda há remédios genéricos que conseguem tratar a maioria das infecções.


www1.folha.uol.com.br/

Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial

0 comentários:

Postar um comentário