segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Campanha de Dilma inicia o 2º turno como terminou o 1º: espalhando o medo para tentar desconstruir seus adversários

No primeiro turno da disputa presidencial, o PT e sua candidata Dilma Rousseff partiram para um aético vale-tudo para desconstruir a candidatura de Marina Silva (PSB). Na última semana, a presidenta e seu partido mostraram que agora a mesma receita será usada contra o tucano Aécio Neves, repetindo nos palanques e em seus programas de rádio e tevê o terrorismo eleitoral que recorre a mentiras e à manipulação dos fatos. Na quarta-feira 8, em comício no Piauí, Dilma disse que a volta do PSDB ao governo representa o fim do Bolsa Família e de todas as conquistas sociais obtidas nos últimos 12 anos. “Nós fizemos o Bolsa Família, construímos o Bolsa Família. Vem uma pessoa agora falar que vão fazer melhor o Bolsa Família, por que não fizeram antes?” No mesmo evento, realizado em um centro de convenções de Teresina, a petista afirmou que os tucanos também pretendem acabar com o Programa Mais Médicos e com o Minha Casa Minha Vida. São temas que amedrontam o eleitor, mas que não encontram respaldo na realidade. Antes mesmo de começar a campanha eleitoral, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) apresentou projeto no Congresso Nacional que torna o Bolsa Família obrigatório por lei, deixando de ser um programa de governo para ser um programa de Estado. Portanto, não é verdadeira a afirmação de que uma provável vitória do tucano irá decretar o final do Bolsa Família. Dilma também esconde que o Bolsa Família, embora com números bem mais acanhados do que os atuais, teve origem no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e foi iniciado com os cadastros elaborados na gestão do PSDB.


MENTIRAS
Em palanque no Piauí, Dilma diz que a provável vitória do
PSDB pode acabar com as conquistas sociais

Sobre o Mais Médicos e o Minha Casa Minha Vida, Aécio também já se manifestou publicamente. Disse que irá manter o programa habitacional e direcioná-lo para famílias com renda de até três salários mínimos. E quanto ao Mais Médicos, assegurou que irá mantê-lo, porém, com algumas modificações, principalmente em relação ao acordo feito com Cuba, cujo governo fica com boa parte do que deveria ser pago aos médicos. As mentiras disparadas visando atingir o PSDB começaram logo depois de conhecido o resultado do primeiro turno. Em uma sequência de mensagens postadas no Twitter, Dilma faz menção ao governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e afirma que “o povo brasileiro não quer de volta aqueles que trouxeram o racionamento de energia”. O que a campanha da presidenta não informa é que um levantamento feito pelo Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE) revela que de janeiro de 2011, quando Dilma assumiu o governo, até fevereiro deste ano, o País registrou 181 apagões, sendo dez de grandes proporções. O último deles, em 4 de fevereiro, deixou mais de seis milhões de pessoas sem energia em 11 Estados. “A partir de 2001, já no fim do governo de FHC ficou evidente que o Brasil precisaria expandir o sistema de geração hidroelétrica, mas os governos do PT nada fizeram nesse sentido e estamos atuando sempre no limite”, afirma o físico José Goldemberg. Em outra mensagem postada no Twitter, os petistas afirmam que vão “melhorar a economia, mas sem desempregar ou fazer arrocho salarial”. O que eles não dizem é que foram nos últimos quatro anos, durante a gestão de Dilma, que a economia brasileira passou a acumular indicadores preocupantes, alta de inflação e crescimento pífio, o que efetivamente ameaça empregos e compromete o futuro. A petista também atenta contra os fatos quando diz que o PSDB “quebrou o País três vezes”. Não é verdade. O Brasil só declarou moratória em 1987, quando o ex-presidente José Sarney suspendeu o pagamento de uma dívida que superava os US$ 10 bilhões. Com FHC, em momento de crise internacional, o País recorreu a empréstimos no FMI – um deles feito a pedido do ex-presidente Lula que iria assumir o governo em janeiro de 2003.

O PT diz que com o PSDB virão os apagões, mas nas gestões de Lula
e Dilma boa parte dos brasileiros ficou no escuro pelo menos dez vezes

“O terrorismo tem o objetivo de suscitar um sentimento de medo permanente na sociedade. Não tem limites ideológicos, religiosos ou étnicos e normalmente é usado para enfraquecer um inimigo político”, diz Renato Cancian, mestre em sociologia política. Mesmo no PT, há líderes que condenam fortemente a prática que vem sendo adotada pela campanha de Dilma. Um deles é o governador eleito de Minas, Fernando Pimentel. “Acredito que fazer uma campanha de ataques pode trazer um resultado contrário ao desejado”, afirmou Pimentel na segunda-feira 6. O mesmo tem dito Jaques Wagner, que conseguiu eleger seu sucessor para o governo da Bahia ainda no primeiro turno.

Dilma afirma que Aécio pode acabar com o Bolsa Família, mas
projeto do tucano pretende transformar o programa em lei,
para que ninguém possa liquidá-lo

Fotos: Ricardo Caetano/180graus
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