quinta-feira, 17 de abril de 2014

O paraíso esquerdista: 86 milhões sustentam 148 milhões

Enterrado lá no fundo do site do Census Bureau [a agência governamental encarregada do censo nos Estados Unidos] está um número que cada cidadão americano, e especialmente aqueles aos quais foram confiados cargos públicos, deveria saber: 86.429.000.

Este é o número de americanos que, em 2012, levantou-se de manhã e foi para o trabalho – no setor privado – e fez isto semana após semana após semana.

Estas são as pessoas que construíram a América, e estas são as pessoas que podem sustentá-la como um país livre. A mídia esquerdista não as fez famosas como o urso polar, mas elas são realmente uma espécie ameaçada.

Não são um fazendeiro com algumas centenas de cabeças de gado nem uma empresa de energia a desenvolver um combustível fóssil que estão atacando seu habitat. É o governo grande e sua principal arma – um estado de bem-estar social em constante expansão.

Isto é a minha tradução de parte de um artigo de Terence P. Jeffrey na Cnsnews.com, no qual ele ainda analisa o número dos trabalhadores, categoria por categoria, e depois os de beneficiários, programa por programa, até chegar ao resultado e às conclusões abaixo.

(Tão familiares, não é mesmo?…)

Ao todo, incluindo tanto os beneficiários da previdência social quanto os demais, 151.014.000 “receberam benefícios de um ou mais programas” no quarto trimestre de 2011. Subtraia os 3.212.000 veteranos, que serviram o seu país da maneira mais profunda possível, e sobram147.802.000 recebedores não-veteranos de benefícios.

Os 147.802.000 beneficiários não-veteranos excedem os 86.429.000 trabalhadores de tempo integral do setor privado à taxa de 1,7 por 1.

O quanto mais esses 86.429.000 podem suportar?

À medida que os chamados “baby boomers” [americanos nascidos logo após a guerra] se aposentam e que o Obamacare passa a ser totalmente on-line – com suas listas de Medicaid e seguros de saúde subsidiados pelo governo federal expandidas para qualquer um que ganhe menos de 400% do nível de pobreza – o número de beneficiários inevitavelmente aumentará. E o número de trabalhadores do setor privado em tempo integral também pode diminuir.

Eventualmente, haverá bem poucos levando muitos, e a América irá quebrar.

Nem todos esses 148 milhões estão desempregados: alguns trabalham em período parcial ou o que seja, mas este é o número de pessoas recebendo algum tipo de benefício federal e, obviamente, para que alguém o receba, os que trabalham têm de ser tributados.

Se os 86 milhões viram 80, 75, 70, tendo de sustentar 155, 160 milhões, eles tendem cada vez mais a desistir, recusando-se a pagar o imposto ou mesmo a trabalhar.

Com o mercado anêmico, até os “millenials” [nascidos entre 1980 e o início dos anos 2000] já estão de saco cheio de não encontrar trabalho… Como disse Rush Limbaugh:

Eles têm o seu diploma universitário, e onde está o casarão? Onde está a Ferrari? Eles fizeram o que todo mundo dizia; eles foram para a faculdade. Este era o caminho para tudo. Agora eles vão para a faculdade, saem e não têm nada. Não conseguem encontrar um emprego, uma carreira. O que vai acontecer quando eles descobrirem que independentemente do trabalho que façam, seus impostos vão sustentar as pessoas que não estão trabalhando? Bem, vamos ver.

De acordo com um relatório do Fed de Nova York, 44% dos recém-formados estão subempregados, ou seja, eles têm empregos que não exigem o seu diploma universitário, o que, por sua vez, deixa a situação ainda pior para quem não tem diploma algum. Só falta agora eles entenderem que este é o futuro que Obama e a esquerda americana lhes prometeram.

Eu mostrei aqui como o apresentador Sean Hannity, da Fox News, colocou contra a parede Jason Greenslate, de 29 anos, o surfista californiano que ganhou notoriedade em agosto passado quando foi filmado usando o vale-refeição para comprar lagosta e hoje leva a sua vidinha praiana e musical, com direito a clube de strip-tease, à custa do suor dos outros.

Greenslate é um exemplo tão emblemático dos milhões de parasitas fabricados e moralmente corrompidos pelo assistencialismo obâmico que talvez só encontre par em Manchester, na Inglaterra, onde Sinead Clarkson – uma desempregada de 36 anos que nunca trabalhou, tem dois filhos e vive às custas do governo recebendo 1.200 libras (4.465 reais) mensais –admitiu ao Daily Mail ter incentivado a filha Melissa, de 19, a engravidar para gozar dos benefícios estatais e ter uma vida “sem trabalho e estresse”. Conselho seguido, Melissa ficou grávida seis meses atrás e deixou a futura vovó “maravilhada” com a notícia.

No Brasil, até outro dia havia uma voz na TV aberta que ao menos incentivava os mais de 50 milhões de eleitores do PT, digo, de beneficiários do Bolsa-Família a trabalhar, dizendo: “Não se sai da pobreza sem trabalho, sem salário, sem ganhar com o suor do rosto o pão de cada dia. Assistência? Tem de ser provisória. Senão vira dependência. Senão gera parasitismo. Quem vive do Bolsa-Família precisa subir a outro patamar. Ganhar profissionalização, conquistar um emprego, cuidar da própria vida. Um dia o poço pode secar. É preciso agora aprender a pescar.”


Mas essa “pecadora” foi calada. A VEJA.com, não. Na matéria Por que o número de beneficiários do Bolsa Família só cresce, Gabriel Castro escreveu: “como um programa criado para tirar pessoas da pobreza pode ser elogiado se o número de dependentes aumenta a cada ano? O crescimento vegetativo da população é uma explicação insuficiente, já que a quantidade de beneficiários sobe muito mais rapidamente do que a de brasileiros.”

Sobe rapidamente, como se vê, tanto aqui como nos EUA, ainda mais em ano eleitoral. Se a América se “brasilianiza” com Obama, o Brasil se americaniza no pior sentido da coisa.


“Devemos medir o sucesso dos programas sociais pelo número de pessoas que deixam de recebê-lo e não pelo número de pessoas que são adicionadas”, dizia o presidente Ronald Reagan, para quem o melhor programa social era um emprego. Mas os números e os exemplos mostram que as esquerdas só sabem medir o sucesso de suas políticas pelo poder que elas lhes garantem.

A propósito: o SBT Brasil já começou a falar dos ursos polares?

Felipe Moura Brasil - http://www.veja.com/felipemourabrasil
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