quarta-feira, 10 de julho de 2013

Transplante de cabeça em seres humanos será viável "em breve", diz neurocientista


Um neurocientista italiano causou polêmica na comunidade científica mundial ao publicar, na mais recente edição do jornal Surgical Neurology International, a afirmação de que em breve a medicina será capaz de realizar um transplante de cabeça entre seres humanos.

De acordo com Sergio Canavero, diretor do Grupo de Neuromodulação Avançada de Turim, na Itália, o procedimento está próximo de se tornar realidade. "O maior desafio num procedimento do gênero é a reconexão da cabeça doada à coluna cervical do receptor. Mas há de ser reconhecido o fato de que a tecnologia necessária para tal ligação já existe", afirma o médico no texto.

Segundo a descrição do projeto, reconectar uma nova cabeça a um corpo seria um procedimento trabalhoso e custoso, durando 36 horas e custando cerca de US$ 13 milhões. Entre os pacientes que se beneficiariam de um transplante de cabeça estariam portadores de distrofia muscular e tetraplegia, por exemplo.

Em 1970, uma cirurgia similar foi feita em um macaco, mas na época não existia a tecnologia necessária para reconectar a medula espinhal à cabeça, e esta linha de pesquisa foi abandonada. Agora, no trabalho, é descrita pela primeira vez o esboço para a troca cefálica total de um homem.

No documento publicado pelo doutor Canavero, é destacada a necessidade de um corte preciso da cabeça e do uso de substâncias adesivas especiais, à base, por exemplo, de polietileno glicol (PEG).

Entretanto, o procedimento é desacreditado por parte da comunidade científica. O neurologista americano Jerry Silver, da Case Western Reserve University, de Ohio, questionou sua viabilidade em entrevista à rede de TV norte-americana CBS.

"É uma fantasia pensar que alguém poderia usar substâncias adesivas em uma lesão tão traumática em um mamífero adulto. Decepar uma cabeça e transplantá-la para outro corpo é, na minha opinião, por si só total fantasia... Isso é má ciência e nunca deveria ser permitida", disse.



Do UOL, em São Paulo
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