sábado, 1 de junho de 2013

Violência em escolas públicas da PB: tráfico impõe ‘toque de recolher’

Assuero Lima

Facções picham paredes com suas iniciais para impor medo



Muros pichados com nomes de facções, funcionários temerosos e alunos tentando mudar para turnos diurnos ou para escolas mais próximas de suas residências. Estas são algumas das consequências da violência urbana no entorno de escolas públicas da Paraíba. Em João Pessoa e Campina Grande, algumas escolas precisam cancelar as aulas por causa dos embates de grupos criminosos em comunidades de risco. Em outras, traficantes de drogas estão impondo ‘toque de recolher’, segundo denúncias de alunos e professores, confirmadas pela Patrulha Escolar. Por dia, a Patrulha Escolar recebe uma média de 10 chamados, segundo o comandante do 5º Batalhão de Polícia Militar, coronel Lívio Delgado.

A situação é mais tensa no período da noite, mas os problemas também acontecem em plena luz do dia. “À tarde, os chamados se concentram na hora do intervalo e da saída. Os gestores telefonam se queixando de medo dos traficantes e de meliantes que se posicionam em frente às escolas. Anteontem, teve até bomba estourada em uma unidade nos Bancários”, relatou a policial da Patrulha Escolar, Thaís Lucena.

“A questão da violência está presente em escolas de todos os bairros de João Pessoa, e elas ficam mais vulneráveis à noite. É nesse turno que o meliante trabalha melhor e consegue escapar mais facilmente”, informou a subtenente da Patrulha Escolar, Lígia Fernandes. Ela ainda denunciou que há escolas em que o consumo de bebidas alcoólicas acontece nos muros ou calçadas, e que o horário flexível de algumas unidades também contribui para que as drogas e o álcool adentrem as escolas.

“Muitos gestores deixam que os alunos entrem e saiam da escola no momento em que bem entendem durante o turno da noite. É assim que os bandidos agem, e conseguem fazer entrar drogas e armas nas unidades de ensino. Em escolas no Geisel, há casos comprovados de pessoas entrando nas escolas com droga. Já estamos monitorando e temos informantes infiltrados nesse meio para que possamos dar um fim nisso”, alertou. A subtenente não revelou o nome das unidades para não prejudicar as investigações.

Em Manaíra, facções picham paredes

A Escola Estadual Alice Carneiro, em Manaíra, já foi palco de invasões e violência de facções criminosas e ainda é possível ver no muro e nas paredes internas pichações dos grupos. Uma professora e uma funcionária da escola, que preferiram não se identificar por temer represálias, contaram que vão trabalhar todos os dias com medo da violência, apesar da incidência ter diminuído bastante por causa da presença constante da Patrulha Escolar.

“Não é mais a Al Qaeda, agora tem outro grupo que está fazendo terrorismo aqui. É um tal de Terror do Bairro, algo assim. Tem dia que venho para cá apavorada”, comentou uma delas.

A professora, que também leciona à noite, contou que nunca aconteceu um toque de recolher ou precisou acabar uma aula mais cedo por causa dos criminosos. Porém, acontece que alguns alunos ou até pessoas de fora – com menor frequência – se drogam no espaço da escola. “Tem dia que a gente até troca de sala por causa do cheiro”, comentou a professora. Ela e outros professores já tiveram seus carros quebrados por alunos que jogaram pedras. “Já invadiram uma das salas, pegaram as tintas do armário e sujaram tudo, apenas para vandalizar”, relatou.

Uma prática dos alunos, que os professores observaram, é a de se matricularem e não frequentarem as aulas, apenas para conseguirem a carteira de estudante. “Mas a Patrulha Escolar vem coibindo essa ação e parando os alunos que vinham para cá apenas para se aproximar dos alunos e pegar a carteira de estudante”, comentou. “A Patrulha nos ajuda muito, mas eles também pediram investimentos na segurança por parte da escola. Já pedimos mais porteiros”, contou a professora.

Também em Manaíra, a Escola Municipal Nazinha Barbosa tem algumas pichações de facções criminosas, mas a diretora disse que a violência da comunidade São José não chegou às salas de aula. Ela contou que houve um tempo em que todas as carteiras estavam pichadas com o nome “Al Quaeda”, mas ela mandou os próprios alunos tirarem. Os professores relataram que já aconteceram casos de roubos em frente à escola, mas nunca dentro da unidade.

Leia reportagem completa na edição deste sábado no Jornal Correio da Paraíba.
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